Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

domingo, novembro 9

Rádio

No outro dia fui acompanhar a gravação de voz para uma promoção para uma campanha de rádio e televisão. A voz de que falo, e penso que devo antes escrever com iniciais maiúsculas 'A Voz', era a de um antigo colega da rádio, o Aurélio Gomes.
Optei por ficar num ângulo que não me permitisse ver a cabina de gravação, de forma a ouvir apenas a voz. E instantaneamente, como que de olhos fechados, fui transportado para há uns anos. Viajei no tempo e regressei aos estúdios do Rádio Clube Português, com o Aurélio na sala de emissão e eu na régie, durante o programa 'Janela Aberta', que animava as tardes da estação.
Penso que foram os tempos mais gratificantes e felizes da minha vida profissional. Rádio, o meio por excelência da comunicação. Aurélio, uma das melhores vozes que já ouvi, E o 'Janela', um programa com total liberdade em que podíamos falar de quase tudo, com os assuntos mais diversos e os convidados mais díspares.
Mas o Aurélio não é apenas uma grande voz. Não é apenas uma excelente voz. É o chamado 'poço de cultura'. Sabe muitas coisas, conhece outras mais, e questiona sempre e sem problemas, sem rodeios e sempre de frente, o que por vezes pode chocar. E sendo a capa do programa por algum tempo, o programa nunca se resumiu a ser apenas ele. O Aurélio sempre quis incluir todos da equipa, puxar por eles (por nós), dar espaço, relevo e mérito a cada um.
Não gosto nem sou muito de fazer estes elogios públicos, mas aquela meia hora de gravação levou-me de volta àqueles tempos e pelos vistos as saudades falam mais alto.  

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