Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

sábado, novembro 29

O rapaz com a unha do dedo mindinho pintada de vermelho

Hoje no metro sentou-se à minha frente um rapaz com a unha do dedo mindinho pintada de vermelho. Pode parecer um pouco estranho mas passo grande parte do tempo que tenho estar num transporte público a observar as pessoas. Provavelmente já houve quem me tenha achado maluco ou um perturbante perseguidor. Mas faz parte de mim observar o que me rodeia.

Voltando ao rapaz com a unha do dedo mindinho pintada de vermelho, pensei logo em várias hipóteses para aquele efeito e para aquela cor.

Seria um actor ou figurante de cinema ou televisão cujo papel implicasse pintar as unhas? Mas então porque apenas uma e porque razão apenas aquela? E porquê de vermelho?

Depois pensei que poderia ter sido alvo de uma praxe como eu fui no primeiro ano da faculdade, em que os mais velhos do curso nos levaram até uma creche para que as crianças nos usassem como superfícies de pintura. Lembro-me que saí de lá com as unhas pintas de azul e verde fluorescentes e que estive assim durante uma semana, já que não havia acetona que valesse.

Por fim pensei que podia ser apenas uma manifestação de atitude, apenas para marcar uma posição ou para chamar a atenção, no sentido do 'eu faço o que me apetece e saio à rua como quiser'. Por mim tudo bem, sou tolerante e cada um deve apresentar-se da forma como se sentir mais confortável.

E perdido nos meus pensamentos o rapaz com a unha do dedo mindinho pintada de vermelho levantou-se e saiu no Saldanha, não por acaso a estação da Linha Amarela que faz ligação com a Linha Vermelha.

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