Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

sábado, fevereiro 28

Até amanhã Saramago

Terminei de ler há poucos dias o último livro de Saramago, Alabardas, a despedida do nosso Nobel da Literatura. São pouco mais que um par de páginas e a cada palavra, linha, parágrafo e folha sentia um crescendo de tristeza com a certeza que ia dizer adeus a algo que nunca mais veria, ou seja, material inédito de um dos meus escritores de eleição. A sensação é quase a mesma que aquela que sentimos quando nos vamos despedir de alguém ao aeroporto, quando quebramos uma amizade que já nos magoava ou quando cortamos laços com alguém para sempre. Ou quase como deixarmos uma casa onde passámos momentos importantes da infância ou memórias marcantes das férias. Já não vai haver mais Saramago nem textos geniais com enredos sublimes. Independentemente das ideologias. Alguns acusam Saramago de ser apenas um comuna da pior espécie e inimigo da liberdade. É o mesmo que dizer que Richard Wagner não passava de um perigoso nazi e anti-semita. Independentemente das ideologias, a genialidade de ambos não deve ser colocada em causa. E sempre que nos despedimos de um vulto cultural devemos perceber que um pedaço de nós também diz adeus.

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