Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

segunda-feira, dezembro 29

David Lynch no Metro de Lisboa

Hoje em mais uma viagem de metro (e são duas diárias, dez semanais), sentei-me ao lado de um senhor que entre sete paragens olhou 14 vezes para o relógio.
Uma porque estava com pressa e queria mentalmente atrasar os ponteiros.
Duas porque recebeu um relógio novo no Natal e não se cansava de o admirar.
Três porque tinha receio que alguém o tivesse roubado.
Quatro porque estava habituado a ter um relógio digital e tinha ainda dificuldades em acertar nos ponteiros.
Cinco porque os filhos vivem em São Paulo e queria saber que horas eram lá.
Seis porque disseram-lhe que aquele relógio era mágico e mudava de cor conforme os humores e ele queria tirar a prova dos nove.
Sete porque os gatos têm sete vidas e ele sempre sonhou em ser um gato.
Oito porque me queria transmitir uma mensagem encriptada como a cena da rosa azul no filme Twin Peaks do David Lynch (não captei a mensagem).
Nove porque foi picado por uma melga no pulso e estava a evitar coçar, fazendo-o com a força da mente.
Dez porque é um número redondo.
Onze porque é o número de uma equipa de futebol e o senhor é orgulhosamente benfiquista e não perde uma oportunidade de lembrar-se disso.
Doze porque era o número dos apóstolos e estamos ainda na altura do Natal.
Treze porque o senhor é de Montalegre e há o culto da Sexta-feira 13.
Catorze porque o treze é o número do azar e o senhor lembrou-se de acrescentar para não prejudicar ninguém.
E no final não captei a mensagem da Rosa Azul.

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