Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

sexta-feira, dezembro 14

Nome de código: Aranha

Um fim-de-semana no meio do campo, na casa do pinhal, ajuda a colocar tudo em perspectiva. A louça é lavada à mão e não na máquina, a casa é aquecida não pelo ar condicionado mas sim pela lareira que tivémos que atear depois de ir buscar a lenha à arrecadação, lenha essa que foi cortada durante o Verão, o sumo é espremido da fruta que fomos colher ao pomar e não vem das prateleiras do supermercado, o leite é aquecido nos velhos utensílios de cozinha e não no micro-ondas, as febras são grelhadas nas brasas da lareira e não no fogão, o serão é passado a rir e a conversa à volta de um tabuleiro de jogo, com a televisão esquecida e desligada, os computadores uma miragem tecnológica e as discotecas bem longe. São coisas que levam tempo, é claro, mas um tempo demorado que sabe bem, que nos permite saborear melhor cada momento e valorizá-lo como deve ser. Porque a louça sai melhor lavada com um toque humano, o calor da lareira é mais quente, o sumo espremido do pomar é mais doce, o leite sabe mais a leite, a carne feita na brasa é mais saborosa e as conversas e os risos são mais honestos e sentidos.

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