Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

terça-feira, setembro 5

Mil e cinquenta e seis

Ser jornalista. Ou não ser. Pela minha formação académica é isso que sou. Pela licenciatura, pelo percurso, pelos sítios por onde passei e por onde ainda quero passar. Mas será que hoje a palavra jornalista não é criadora de anti-corpos? São mil e uma as reportagens e as notícias da treta, que não interessam ao menino jesus, sobre entidades e organizações que existem por existir, andamos atrás dos actores da sociedade civil que não existem, mendigamos informações e declarações. É isso ser jornalista? Se é isso não me parece que seja o que quero fazer. É desgastante, não gratificante, quase ridículo e kafkiano. Prefiro pensar na definição de jornalista que Eça de Queiroz terá talvez tido: um observador da realidade, um flâneur, um vagueante pela vida, um espectador do mundo. E que sobre ele escreve, filma, fala, enfim, vive e revive, retransmite. Utopia claro. Os telejornais, os jornais e as rádios vão continuar a ser alimentados por reportagens do género: «Está triste com a morte de (familiar)?; Está feliz com a vitória de Portugal?; Diga-me quais são as actividades da Associação de plantadores da batata de Alguidares de Cima?». Será (mais uma das minhas mil e cinquenta e seis) crise de identidade?

3 Comentários:

Às 3:59 da tarde , Blogger NaLua disse...

Tigre,
estou plenamente de acordo consigo, mas repare, está nas nossas mão ter bom ou mau jornalismo... temos sempre a opção de escolher o 24 horas, a TVI, o Crime... ou por outro lado a SIC Notícias, o canal 1, o cana 2,O Expresso, Público etc, etc... a escolha é nossa.

 
Às 10:12 da tarde , Blogger Joao Moreira dos Santos disse...

Virá o tempo em que a alma e não os me(r)dia terá o poder de informar o homem.

É natural que não te sintas bem com uma carreira como pé de microfone dos poderes instalados ou em vias de instalação. Se sentisses é que eu ficaria preocupado.

Mas, infelizmente, o jornalismo Queirosiano já não existe e o jornalista já não tem o estatuto de outrora, ele que se curvou perante a fonte e secou a alma e a consciência social.

 
Às 12:40 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

A esperança e a utopia não devem morrer, mas temos de ter os pés na terra e saber viver onde estamos.

Mário

 

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