Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

terça-feira, agosto 29

Comboiando

O Expresso, na sua tentativa de (re)afirmação antes da chegada do concorrente Sol, resolveu, entre outras iniciativas, publicar uma série sobre os caminhos-de-ferro portugueses ao longo do Verão. Sempre fui adepto do comboio, e sempre que posso opto pela carruagem em detrimento do enfadonho autocarro. Mas a série do Expresso levou-me a querer experimentar linhas que ainda não tinha tido a oportunidade de percorrer. Assim, da Mata (a seguir ao Crato) até Abrantes, depois de Abrantes rumo a Castelo Branco, e de Castelo Branco a Alpedrinha, lá fui eu pelos caminhos de Portugal, como cantava alguém. Linha do Leste, Linha da Beira Baixa, três percursos diferentes.

Andar pela Linha do norte alentejano faz pensar que Portugal é um país gigantesco, sem fim, com paisagens a perder de vista que não acabam no horizonte. São pouco mais de 50 quilómetros o percurso que fiz, mas a imensidão do amarelo do trigo e do verde do sobreiros fazem crer que foram muitos mais.

De Abrantes a Castelo Branco a paisagem muda de figura. O nosso companheiro agora chama-se Tejo. Ao lado dele, quase dentro de água, e há alturas em que o rio parece querer entrar pelos vagões, o que até não seria má ideia dado o calor teimoso do Verão, seguimos rumo à Beira Baixa. Rodeando as margens do maior rio que banha o território nacional estão rochas gigantes, senhoras do tempo que parecem dizer que quem manda ali são elas, mesmo que o ferro da linha tenha tido o atrevimento de por ali andar. Castelo Branco, cá estamos.

Nova mudança de comboio. O apeadeiro de Alpedrinha é o limite. O trajecto é agora vigiado pela serra da Gardunha, que abraça a carruagem (é apenas uma). Aqui e ali avistamos aldeias e povoações, nomeadamente a aldeia histórica de Castelo Novo, imponente, quase desenhada à mão, simétrica elegante, o berço da minha família há gerações atrás. Cinco minutos depois Alpedrinha. Vamos cumprimentar então a família que ali me espera.

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