Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

sábado, fevereiro 11

Podemos dizer tudo mas não temos de dizer tudo

Li muitas coisas sobre as já famosas caricaturas de Maomé num jornal dinamarquês. É um assunto incómodo, tão incómodo que só passado alguns meses a velha Europa acordou e discutiu o tema. Mas mais incómodo ainda porque o Ocidente parece não gostar de falar da sua relação com o Islão. Portanto, apesar do fascínio com as Arábias e além das modas todas, o Ocidente, e nomeadamente a velha Europa, opta por uma posição de «vocês aí e nós aqui», mais confortável sem dúvida, mas acima de tudo artificial. E quando as águas do Ocidente e do Oriente se misturam normalmente a tolerância é mínima ou nula, porque não está alicerçada em qualquer base mas sim numa lógica de placas tectónicas prestes a estalar.

Voltando às caricaturas… Penso que acima de tudo é uma questão de respeito. Sim, a liberdade de expressão e de imprensa que vivemos na Europa, que nunca está nem esteve em causa, permite-nos dizer o que queremos, sem censuras. Mas… E o respeito pelos visados? Podemos dizer tudo mas não temos de dizer tudo. Se Maomé é a figura mais sagrada para o Islão penso que é admissível que os crentes não tenham achado ponta de piada à situação. A forma como o demonstraram (atentados), essa sim, já é condenável. O velho chavão nunca fez mais sentido: «A minha liberdade termina quando choca com a do outro». É preciso aprender a respeitar o Outro, que é diferente mas não pior ou melhor que o Eu.

2 Comentários:

Às 2:27 da tarde , Blogger Luz Dourada disse...

Concordo inteiramente contigo!

 
Às 4:30 da tarde , Blogger Heliocoptero disse...

Os Versículos Satânicos do Salman Rushdie foram considerados ofensivos por muitos muçulmanos, tanto que ele teve a sua vida por um fio durante anos: devemos proibir a sua publicação?

O Evangelho Segundo Jesus Cristo do Saramago foi considerado ofensivo por muitos cristãos: devemos proibir a sua publicação?

O filme do Santo Graal dos Monty Python representa Deus como um velho barbudo com uma coroa, algo que ofende o dogma hebraico de que não se deve representar o ser divino: devemos proibir a venda e transmissão do filme?

Num dos episódios do Herman Enciclopédia, Buda é entrevistado e usa uma arma para matar o apresentador, enquanto Deus aparece, uma vez mais, como um homem barbudo: devemos proibir o Herman de fazer este tipo de humor?

A liberdade de expressão não pode, nem se deve reger por dogmas religiosos. Deve até poder derrubá-los, algo em que o humor e a sátira são instrumentais.

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial