Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

sexta-feira, agosto 19

Geração Viva electrizante

Durante cinco anos fiz parte do Geração Viva.

O Geração Viva é um Grupo de Dança e Teatro apoiado pela Comunidade Bahá’í de Portugal cujo objectivo é apresentar danças que representem a sociedade e os seus problemas, bem como a sugestão de algumas soluções. O facto do grupo ser composto por jovens pretende igualmente demonstrar o poder da juventude dado acreditar-se que a Juventude pode mover o Mundo. A sua acção é não lucrativa, sendo o propósito expandir a Mensagem da Religião Bahá’í através das artes: a dança, o teatro e a música. O espectáculo que este grupo apresenta consiste em breves peças que retratam os princípios desta religião: a eliminação de preconceitos e dos extremos de riqueza e pobreza, a igualdade de direitos e oportunidades entre o homem e a mulher, uma posição firme em relação às drogas e à violência na família, a unidade da Religião e a unidade na diversidade cultural da Humanidade e a resolução da confusão actual na busca de valores consistentes.
A ideia de constituir um grupo deste género vem já desde a década de ’70, no Canadá, onde foi formado o primeiro grupo, denominado WildFire, de onde aliás continuam a emanar as danças elaboradas por uma coreógrafa profissional. Neste momento existe mais de uma centena de grupos semelhantes, um pouco por todo o planeta, todos com o mesmo objectivo e mensagem: a Unidade na Diversidade. O grupo português, primeiro denominado Diversity Dance Workshop, tomou forma no Verão de 1998, através de dois jovens que tinham participado num projecto semelhante durante o ano anterior um pouco por toda a Europa. Da actividade do grupo português destacam-se actuações na EXPO’ 98, no Festival Mundial de Juventude na Costa da Caparica em 1998, na Madeira em 2000 e na Mostra Pedagógica do Distrito de Braga 2001, nos Açores em 2002, com a associação UMAR, bem como presença assídua nas Feiras do Livro de várias cidades, bem como espectáculos em Espanha e França.

Para relembrar um pouco esses gloriosos tempos aqui fica um texto recentemente escrito:

Geração Viva continua bombástico!

Foi em meados Junho, em Tábua, que fui dar uma mãozinha ao Geração Viva do Norte, num espectáculo integrado num projecto de uma professora que por sorte assistiu ao nosso espectáculo em 2002, em Alvaiázere.
Indo um pouco atrás no tempo, em finais desse ano um grupo de jovens organizou o II Encontro Nacional de Artes, que foi sem dúvida um sucesso, a julgar pela opinião de todos os presentes, que ainda hoje falam com saudades dessa reunião. Na altura, o Geração Viva ofereceu à vila o seu espectáculo, como forma de explicar um pouco do projecto que aí estivemos a realizar durante uma semana, em Dezembro. Na assistência estava Elisabete Brito, que por coincidência é amiga e colega de curso de uma das minhas primas de Alvaiázere. A Elisabete ficou de tal forma encantada que a seguir à actuação foi logo falar com todos nós e demonstrou a intenção de poder contar com o GV no futuro. Um futuro que se concretizou agora, a 15 de Junho, sinónimo de que as sementes que lançámos no passado e que lançamos no presente têm sempre o seu fruto, mais tarde ou mais cedo.
E esta pequena introdução para explicar o porquê da ida do GV a Tábua e o momento especial que foi. 2002 foi o meu último espectáculo a dançar, embora o GV esteja sempre nas minhas prioridades, em tudo o que possa ajudar. Agora em 2005 senti uma passagem de testemunho. Senti que os esforços do grupo inicial (Marjan, Raha, Raquel, Bruno, Daniel, Shiva, Melissa e Fernando, a que depois se juntaram Verinha, Maló, David, eu, entre outros) produziu os seus resultados e que o GV mantém-se bem vivo e sólido. Somos agora, como disse a Stella, e muito bem, uma família de mais de 40 jovens, e aí está o segredo, o sentimento de irmãos e de companheirismo entre todos. Porque não somos jovens que dançam, somos sim instrumentos pelos quais uma mensagem é transmitida.
Já lá vão oitos anos, em vésperas do Verão de 1998, desde que o GV, então ainda Diversity Dance Workshop, começou a germinar em Portugal. Um dia antes de ir para o Algarve de férias recebo uma chamada da Marjan, cujo ano de serviço tinha sido dedicado ao grupo de dança europeu, a falar-me deste projecto e a convocar-me para o desafio. Os compromissos familiares já assumidos não permitiram que me juntasse ao grupo, mas na primeira oportunidade (dois meses depois, a seguir ao fantástico espectáculo na EXPO’98), integrei o DDW. Foram, infelizmente, dois meses a menos nesta maravilhosa experiência, brilhante a todos os níveis. Sentir que de facto se está a fazer algo pela Humanidade, a dar o nosso pequeno contributo, mas a fazê-lo, e isso é o mais importante. É só preciso que cada um de nós dê o primeiro passo, como a Raquel dizia no final de cada espectáculo. E confirmar que estes jovens continuam a dar os passos do GV foi por demais gratificante.
O lema do grupo aplica-se na perfeição. Unidade na Diversidade. Na diversidade de crenças, de origens culturais, de idades, de géneros e… de esforços. Todos os esforços são legítimos, e são precisos muitos e diversificados, para que a Humanidade seja, finalmente e de facto, como um TODO.

5 Comentários:

Às 10:52 da manhã , Blogger Maria Lagos disse...

O Geração viva e todos os nossos jovens são fantásticos!Aliás todos os jovens assim são!

 
Às 5:47 da manhã , Blogger pedro disse...

E viva o Geração Viva!

 
Às 2:15 da manhã , Anonymous stella disse...

Não podia estar mais do que de acordo com as palavras de Maria Lagos!!!
Apreciei o teu artigo sobre o "Geração Viva!" e o que esta experiência de serviço influenciou o teu crescimento pessoal, moral e espiritual. Ao servires os outros formaste-te como cidadão do mundo! Quando nos conseguimos libertar do "eu", quantas dimensões fantásticas vislumbramos! Quanta felicidade sentimos!
Um beijo terno para ti, Pedro!

 
Às 5:34 da tarde , Anonymous Luz Dourada disse...

Agora sou eu que digo amém à Stella; não é o portador do nome que leva a candeia mas sim aquele que, em qualquer momento, sabe que a candeia está acesa e quer levá-la. Para bom entendedor...
Parabéns Pedro pelos teus posts!

 
Às 1:49 da manhã , Blogger pedro disse...

Stella, tu talvez mais que ninguém sabes o que para mim representaram os cincos anos no GV. Por tudo, um muito sincero obrigado.

Luz dourada, belas e sábias palavras.

 

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