Tigre da Tasmânia

«Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida» C. Lispector

terça-feira, fevereiro 3

E viajava

Apesar de nunca ter saído da terra onde nasceu o menino B. já tinha conhecido meio mundo. Todos os dias ia ao cinema e via todos os filmes, norte-americanos, franceses, espanhóis, polacos e japoneses, brasileiros e marroquinos. Por isso conhecia Nova Iorque, Paris, Barcelona, Varsóvia, Osaka, São Paulo e Rabat como a palma da mão. Mas nada o satisfazia mais que os livros de Gabriel García Marquéz. Sentia na pele cada frase, como se estivesse nas costas do Caribe, bebia cada palavra como os tragos de rum que inundavam as estórias de García Marquéz, enchiam-lhe as narinas os odores quentes da chuva pegajosa dos romances, saltavam-lhe na língua os sotaques sul-americanos do castelhano original e conversava com os amigos que viviam naqueles livros. Durante várias horas, como que em transe, vivia na Colômbia, ao lado de jornalistas, escritores, deputados e meretrizes. E viajava.

1 Comentários:

Às 3:14 da tarde , Blogger Sof disse...

Quem na tem cão caça com gato qué melhoreeeee!

 

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